quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

PT tenta apagar 2005, Dilma tenta apagar FHC.


A presidente Dilma Rousseff usou ontem a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o "Conselhão", para rebater críticas da oposição, da imprensa e de economistas, antecipando estratégia para a campanha eleitoral de 2014. Para uma plateia de ministros, empresários e representantes sindicais, Dilma discursou reafirmando o que tem chamado de "pilares da estabilidade" econômica e defendendo suas políticas.
 
Em resposta a oposicionistas, em especial ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que antes de o PT chegar ao poder "não existia" cadastro único de programas sociais. Na semana passada, ela disse não ter herdado "nada" do antecessor tucano, ao que ele respondeu dizendo que ela "usurpou" seus projetos e que ela era "ingrata".
 
Criado em 2001 pelo ex-presidente tucano, o cadastro foi ampliado repetidas vezes durante os últimos dez anos de gestão petista. É por meio dele que o governo decide quais serão os beneficiados por programas sociais como o Bolsa Família e o Brasil sem Miséria. Ambos foram bandeira de Dilma em 2010 e devem novamente ser o carro-chefe da campanha no ano que vem.
 
Na semana passada, a presidente anunciou que o governo vai zerar a extrema pobreza no Brasil ao assegurar a todos os cadastrados renda mensal acima de R$ 70. "Nós tivemos, óbvio, de fazer toda uma engenharia, uma tecnologia social. Criamos um cadastro, porque não existia cadastro. É conversa que tinha cadastro. Nós levamos um tempão para fazer. E para limpar o cadastro, e para ver se não tinha gente em duplicidade? E até hoje fazemos isso", disse Dilma.
 
A troca de farpas entre petistas e tucanos começou na semana passada, quando Dilma foi lançada à reeleição por Lula na festa do PT para comemorar os 10 anos do partido no poder federal.(Folha de São Paulo)
Tirado do Coturno Noturno

Lula é mesmo o nosso Lincoln? Ou: A safadeza e a sem-vergonhice como atos heroicos


Luiz Inácio Lula da Silva, quem diria?, recorreu a Lincoln para justificar as safadezas e a sem-vergonhice do mensalão. O que há de mais interessante nisso? Trata-se, pela primeira vez, de uma confissão, ainda que feita de alusões e silêncios. Vamos lá.
O Apedeuta compareceu nesta quarta a um evento em comemoração aos 30 anos da CUT. E, como é de seu feitio, jogou palavras no ventilador. O homem que já se comparou a Jesus Cristo — a parte da cruz, é evidente, ele dispensa porque até greve de fome ele furava chupando escondido balas Juquinha — anda com inveja da notoriedade que Lincoln voltou a adquirir nos últimos tempos… Que coisa! Quando Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, em 2008, o Babalorixá de Banânia torceu o nariz. Não viu nada de especial naquilo, não. Grande coisa um negro na Casa Branca! Ele queria era ver um operário sentar naquela cadeira. Não sei se vocês entenderam a sutileza do pensamento…
No discurso que fez no aniversário da central sindical que responde hoje por boa parte do que há de mais atrasado no Brasil em matéria de corporativismo, que infelicita a vida de milhões de brasileiros, abusando daquele estilo informal que alça a tolice à condição de categoria de pensamento, Lula afirmou:
“Nós sabemos o time que temos, sabemos o time dos adversários e sabemos o que eles estão querendo fazer conosco. Acho que a bronca que eles tinham de mim é o meu sucesso e agora é o sucesso da Dilma. Eles não admitem que uma mulher que veio de onde ela veio dê certo porque a onda pega. Daqui a pouco, qualquer um de vocês vai querer ser presidente da República. Essa gente nunca quis que eu ganhasse as eleições. Nunca quis que a Dilma ganhasse as eleições. Aliás, essa gente não gosta de gente progressista. Esses dias eu estava lendo, eu ando lendo muito agora, viu, Gilberto [referia-se a Gilberto Carvalho], o livro do Lincoln e fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860. Igualzinho bate em mim. E o coitado não tinha computador. Ele ia para o telégrafo, esperando tic tic tic. Nós aqui podemos xingar o outro em tempo real. (…)”
Lula já declarou que detesta ler. Não conseguiu enfrentar sem dormir, segundo confessou, um romance curtinho de Chico Buarque. Faz sentido. Terá encarado a pedreira de “Lincoln”? Talvez tenha assistido ao filme de Steven Spielberg, de uma chatice que chega a ser comovente!!!, e olhem lá… O vocabulário a que recorreu me faz supor que andou mesmo é lendo briefing de assessoria. Há anos, muitos anos mesmo!, divirto-me identificando dedicação metódica nas bobagens que diz. Em muitos aspectos, Lula é a personagem mais “fake” da política brasileira. Todas as coisas estúpidas que solta ao vento nascem de um cálculo.
A facilidade com que as asneiras vão brotando de sua boca faz supor uma personagem algo ingênua, que conserva a autenticidade popular e o frescor natural do povo. Huuummm… Isso pode agradar a alguns subintelectuais do Complexo PUCUSP, que sonham com esse misto de torneiro mecânico e Tirano de Siracusa, uma coisa assim de “rei filósofo que veio da graxa”… Trata-se de uma fantasia! Lula é chefe de uma máquina que se apoderou do estado brasileiro — e parte considerável dessa máquina, a sua ala, digamos, heavy metal, é justamente a CUT. Ali se concentra, reitero, boa parte do atraso brasileiro. Mas retomo o fio.
O vocabulário a que Lula recorreu é coisa de assessoria mesmo, de briefing. Dinheiro não falta a seu instituto para contratar sabidos. O livro “Lincoln” a que ele se refere, base do filme de Spielberg, certamente é a biografia escrita por Doris Kearns Goodwin, cujo título em inglês é “Team of Rivals: The political Genius of Abraham Lincoln”. Agora voltemos lá à sua fala. O “team” do presidente americano era uma “equipe”, mas Lula preferiu a outra acepção, que também serve para uma disputa futebolística, jogo metafórico em que ele é mesmo imbatível. No fim das contas, faz tudo parecer uma pelada. Vejam lá: ele diz saber o que os adversários querem fazer com “eles”, os petistas… Muito provavelmente, querem ganhar o “jogo”, também entendido, em sua monomania metafórica, por “eleição”. O nosso “Lincoln” de Garanhuns transforma a pretensão legítima dos adversários numa espécie de conspiração e ato criminoso. Não por acaso, no dia anterior, recomendou a FHC que, “no mínimo”, ficasse quieto e colaborasse para que Dilma fizesse um bom governo. O nosso grande patriarca criminaliza a ação política de seus oponentes. Ela se confunde com sabotagem.
No discurso, também sobraram críticas à imprensa, como de hábito. Embora os petistas deem hoje as cartas em boa parte das redações do país — quando não estão no comando, compõem o caldo de cultura que transforma bandidos em heróis e, se preciso, heróis em bandidos —, o nosso o Lincoln de São Bernardo ainda não está contente com a sujeição. Quer mais. Enquanto restar um texto independente no país, ele continuará a vociferar contra a “mídia”. Adicionalmente, os petistas contam ainda com a súcia financiada por estatais que faz seu trabalho criminoso passar por jornalismo. Vamos ao ponto.
Assumindo o mensalãoO Babalorixá de Banânia comparou-se a Lincoln —  a exemplo do que se deu com Cristo, ele também dispensa a parte sacrificial… — no suposto tratamento que a imprensa dispensaria a ambos. Besteira! Parte da imprensa americana apoiava Lincoln, parte não. A geografia da guerra civil, é evidente, pautava em boa medida críticas e elogios. Uma coisa é certa: jamais ocorreu ao presidente americano tentar censurá-la, como fez Lula no Brasil mais de uma vez. Até porque não conseguiria. Estava empenhado na aprovação da 13ª Emenda, a que proíbe a escravidão nos EUA, mas subordinado à Primeira Emenda, a que impede a censura do Estado. O Congresso não pode nem mesmo legislar a respeito de limites à liberdade de expressão.
A alusão a Lincoln, de fato, remete a outra coisa, bem mais dolosa do ponto de vista intelectual, ético, moral, político e histórico. A relação de Lula e dos petistas com o mensalão passou por diversas fases. Houve a primeira, a da admissão do erro, com pedido de desculpas. Durou pouco. Veio em seguida a acusação de “golpe das elites”, forjada por um oximoro reluzente: “intelectuais petistas”. Depois, chegou a da negação: “O mensalão nunca existiu”. E agora estamos diante da quarta, e é neste ponto que Lula decidiu pegar carona na vida de Lincoln: os crimes dos mensaleiros teriam sido atos heroicos.
Como assim?
O republicano Lincoln, e o filme dá grande destaque a essa passagem, retardou o fim da guerra civil para poder aprovar a 13ª emenda, que proibiu a escravidão no país, e, sim, literalmente comprou o apoio de alguns democratas, especialmente de congressistas que não tinham sido reeleitos. A moeda principal foram cargos no governo federal, mas também houve dinheiro. Eis aí: é precisamente nesse ponto que Lula pretende, no que me parece uma forma de confissão, colar a sua biografia à do presidente americano.
Eis um debate interessante, que remete a fundamentos da moral individual e da ética pública: a transgressão de um princípio para pôr fim a uma ignomínia, como a escravidão, é aceitável? Ao comprar o voto daqueles parlamentares com um propósito específico, de que outros males — imaginem aí — Lincoln estava livrando os EUA? No mínimo, pode-se supor que o fim do conflito poria termo apenas ao primeiro ciclo da guerra civil, porque outro estaria sendo contratado. Um fundamento ético ou moral, que é sempre abstrato, revela a sua força quando aplicado. Vamos ao exemplo mais elementar: todos sabemos que é errado matar como princípio geral, mas nem por isso cabe hesitação quando há apenas duas alternativas: matar ou morrer. Se não matar vira sinônimo de morrer, matar, então, é a única alternativa de que dispõe a vida. Nesse caso, anula-se a diferença moral entre não matar e matar. É por isso que a ética da guerra — e ela existe —, por mais que pareça funesta (e, em certa medida, é mesmo), modula os modos da morte.
A política não é, e nunca foi, um exercício de santos. Com frequência, governantes os mais virtuosos tiveram de recorrer a expedientes que nem sempre foram de seu agrado para realizar tarefas necessárias que, de outra sorte, não se realizariam. No mundo da ética e da moral aplicadas, muitas vezes somos obrigados — e o governante mais do que do que qualquer um de nós — a escolher o mal menor porque o nosso princípio abstrato já não encontra lugar na realidade corrompida. Apelando a uma dicotomia conhecida, de Max Weber, nem sempre a ética da responsabilidade, que é a do homem público, atende a todas as exigências da ética da convicção, que é a do indivíduo.
Voltemos a Lula. Por que mesmo o seu partido fez o mensalão? Com que propósito? Se o ato de Lincoln não era, em si (e não era!), um exemplo de pureza e não poderia, pois, aspirar à condição de uma norma abstrata (“compre parlamentares sempre que precisar”), seu desdobramento prático livrou os EUA de diabólicos azares — além, evidentemente, de conferir mais dignidade a milhões de pessoas submetidas à ignomínia da escravidão. O peculatário que enfiou a mão em quase R$ 80 milhões do Banco do Brasil pretendia o que mesmo? Aquela súcia de vagabundos que roubou dinheiro público estava a serviço de que causa?
Lincoln tinha em mente um país, e não foi sem grande sofrimento pessoal — até o sacrifício final — que levou adiante o seu intento. Estava, efetivamente, consolidando uma república federativa. O mensalão, ao contrário, os fatos falam de forma eloquente, foi uma tentativa de golpear as instituições e de transformar a compra de votos numa rotina. Estava em curso a formação de um Congresso paralelo e de uma República das sombras.
Não deixa de ser interessante que Lula tenha feito esse discurso asqueroso na CUT. Não se esqueçam de que, nas lambanças do mensalão, ficamos sabendo que a turma queria usar a central sindical para criar um… banco dos companheiros! Eis o nosso Lincoln! Aquele atuou para pôr fim à vergonha da escravidão. O nosso, para criar um modelo que eternizasse o seu partido no poder.
Lula deveria, no mínimo, ficar de boca fechada.
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Pedido de desculpa em Recife


Quem passa pela Avenida Agamenon Magalhães, uma das mais importantes e movimentadas do Recife, pode perceber um outdoor fazendo referência à passagem da cubana Yoani Sánchez pelo País. Mais: a peça, colocada na tarde deste sábado (23), é um pedido de desculpas pela hostilidade que a blogueira foi tratada quando esteve no Brasil, inclusive em Pernambuco. A peça foi assinada pelo advogado Silvio Amorim.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Yoani critica silêncio do governo brasileiro sobre agressão a direitos humanos em Cuba. Finalmente, ela consegue falar sem ser atacada por vagabundos

Blogs e Colunistas
21/02/2013
 às 16:30

Yoani critica silêncio do governo brasileiro sobre agressão a direitos humanos em Cuba. Finalmente, ela consegue falar sem ser atacada por vagabundos

Por Branca Nunes, na VEJA.com:A blogueira Yoani Sánchez criticou o silêncio do governo brasileiro com relação à questão dos direitos humanos em Cuba. “Há muito silêncio”, disse a cubana. “Recomendaria uma posição mais enérgica”. A declaração foi feita na manhã desta quinta-feira, quatro dias depois de Yoani desembarcar no país, durante um debate realizado na sede do jornal O Estado de S. Paulo. Com a voz levemente rouca e uma pulseira do Senhor do Bonfim no braço direito, esta foi a primeira vez que a blogueira crítica ao regime ditatorial dos irmãos Castro conseguiu expor suas opiniões sem ouvir gritos de protestos nem sofrer agressões verbais.
“Não me surpreenderam”, disse, ao comentar os protestos. “Os blogs oficiais do meu país já haviam avisado que eu teria uma ‘resposta contundente’ durante a viagem. Todos têm direito de manifestar sua opinião. O que me surpreendeu foi a violência física. Nunca imaginei que me impediriam de falar”.
A blogueira aproveitou o evento para responder parte das críticas que os defensores dos irmãos Castro fazem a ela. Ao ser questionada sobre quem está financiando sua viagem – Yoani percorrerá mais de dez países em 80 dias –, a cubana respondeu que o dinheiro vem de diversas instituições, como a Anistia Internacional, universidades e blogueiros. “Não tenho milhões de dólares, mas tenho milhões de amigos”. Um dos objetivos de Yoani é receber os prêmios (que somam mais de mais de 300 000 reais) que recebeu ao longo dos últimos anos pelo trabalho em Generación Y.
Yoani aproveitou para salientar que as pessoas que a ajudam com o blog (traduzido para 18 idiomas) são voluntários espalhados pelo mundo. “Quem traduz meus textos para o inglês, por exemplo, é uma motorista de ônibus de Nova York de 65 anos”, conta. “Mas o governo não acredita mais na espontaneidade. Quando eles querem algo, ordenam, pagam”.
Nesta quinta-feira, às 18h, Yoani participará de um evento com blogueiros na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, e, em seguida, autografará o livro De Cuba, com carinho. A blogueira permanece na capital paulista até sábado, quando embarcará para a Republica Checa.
Veja abaixo alguns dos temas comentados por Yoani Sánchez no debate desta quinta-feira:
Internet
A internet é para os cubanos uma plataforma de liberdade. Um campo de treinamento para o que algum dia pode se tornar realidade. Ela possibilita que mais pessoas possam se tornar o epicentro da informação. É um espaço democrático, com pessoas boas e más.
Fidel e Raúl Castro
O governo de Raúl nasceu de um pecado original: ele não foi eleito. As reformas econômicas que tem feito estão na direção correta, mas num ritmo absurdamente lento e sem profundidade. O governo de Fidel Castro, por sua vez, queria controlar cada aspecto da vida dos cubanos, desde o que vestíamos ao café que tomávamos. Sobre a repressão, Fidel fazia dela um espetáculo, com grandes julgamentos e punições exemplares. No governo de Raúl, a repressão é velada.
Comunismo e capitalismo
Tenho uma relação ruim com as ideologias. Sou uma pessoa pós-moderna, que cultua a liberdade. Não creio que em Cuba haja um socialismo e muito menos um comunismo. Classificaria o governo cubano como um capitalismo de estado. O patrão é o governo.
Educação e saúde
A estrutura física e a extensão da rede de ensino e de saúde em Cuba são aspectos positivos. Existem escolas e postos de saúde em cada bairro. Porém, existe um colapso material. Os professores ganham menos de trinta dólares por mês, o que diminui a qualidade. São pessoas despreparadas.
Economia
Cuba vive hoje uma esquizofrenia monetária. Existe o peso cubano e o peso conversível. O cubano acorda todos os dias com um objetivo: o que fazer para conseguir pesos conversíveis e alimentar sua família. Existem algumas alternativas. Caso ele seja um cozinheiro de um grande hotel, por exemplo, pode roubar um azeite ou um pedaço de queijo para vender no mercado negro. Também pode se prostituir, trabalhar clandestinamente ou pedir que parentes que emigraram enviem dinheiro. Quem não tem nenhum desses caminhos passa mal. O salário não é mais a principal fonte de renda.
Embargo econômico
Há uma teoria que diz que o embargo é uma caldeira. O fogo geraria precariedade econômica e material, o que levaria as pessoas à rua. Mas o embargo não resulta em rebeldia, mas na imigração dos cubanos. Outro motivo pelo qual sou contra o embargo é o fato de que ele embasa os argumentos do governo cubano que diz que não há batatas, não há tomates, não há comida por causa do império. Sem essa desculpa, quem eles vão culpar?
Protestos internos
Desde pequenos, os cubanos recebem uma série de informações e propagandas que fazem com que eles acreditem que o país não lhes pertence. Pertence a uma geração histórica, que foi a protagonista da revolução. Isso cria uma apatia grande. Além disso, tem uma paralisia provocada pelo medo. Não um medo da morte, mas um medo da delação. Você acha que será denunciado pelo seu vizinho. Isso leva muitas pessoas a tentarem resolver os seus problemas individualmente. Mas existe uma oposição hoje de jovens que se manifesta artisticamente, via internet, que procura divulgar as informações de forma ampla.
Manifestações no Brasil
Muitas dessas pessoas que protestaram contra mim nunca estiveram em Cuba. Outras estiveram por duas semanas fazendo turismo. É uma visão muito superficial. Para os mais velhos, acredito que seja difícil assumir que aquilo em que eles tanto acreditaram está morto, não seu certo. O governo cubano cria uma realidade distorcida. Eles propagam uma Cuba que não existe, uma cidade utópica, de esperança, onde todos têm chances. Quando meu filho era criança chegou em casa da escola dizendo que antes de Fidel Castro não havia universidades em Cuba. Isso é mentira.
Por Reinaldo Azevedo

Lula: orgulho da corrupção do PT


A festa de 10 anos do PT também celebrou os 10 anos e 10 meses de cadeia do chefe da quadrilha do Mensalão.

Ontem, sem seu discurso, Lula disse que não teme comparação. Especialmente em corrupção. Cercado por mensaleiros condenados à prisão, citou que o seu governo é que deu transparência ao país. No quesito corrupção, o PT é realmente incomparável. Apenas na Casa Civil, foram três ministros demitidos por corrupção, nestes dez anos: José Dirceu, que vai para a cadeia, Antônio Palocci, que só não foi para a cadeia por que fugiu, além de Erenice Guerra, aquela do Tamiflu. A Casa Civil é a mão da Presidência. No caso, a mão grande da corrupção.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Yoani Sanchez, a mensageira da liberdade

Eles são essencialmente ditadores fascistoides; só lhes falta a oportunidade. Ou: as falas de um deputado do “povo” e de um “intelectual”, ambos do PT e defensores da ditadura.

Vejam este vídeo. Este é o deputado federal Valmir Assunção, do PT da Bahia. Ele está justificando e defendendo as violências de que Yoani foi vítima. Veja. É rápido. Volto em seguida.

 


VolteiEle é um velho conhecido dos leitores do blog.
Em 2011, o MST invadiu a Secretaria da Agricultura da Bahia e por lá foi ficando. O governador Jaques Wagner mandava comprar centenas de quilos de carne para alimentá-los. Escrevi aqui um post óbvio, coisa que qualquer pessoa decente faria: todos os baianos pobres que quisessem comer carne todos os dias deveriam invadir um prédio público, ora. O tal Assunção se abespinhou e resolveu me mandar uma carta. Eu a publiquei neste blog com um título saboroso: “Querem dividir comigo um deputado baiano em postas, ao molho de dendê e muita pimenta? Sirvam-se”. Assunção, parece, confunde violência com democracia.
Aí alguém dirá: “Ora, Reinaldo, vê-se que é um homem do povo, sem muita instrução; certamente não é um intelectual do PT”. Muito bem! Então vamos a alguém que teve acesso a estudo, instrução, literatura política e que sabe distinguir, também no campo teórico, a democracia da ditadura — escolhendo a ditadura.
Ontem, no programa “Entre Aspas”, da GloboNews, Mônica Waldvogel mediou um debate entre dois jornalistas sobre os protestos — que chamo de atos delinquentes — contra a blogueira Yoani Sánchez: o sempre excelente Sandro Vaia, de sólidas tradições democráticas, e o petista Breno Altman, que é, assim, uma espécie de José Dirceu com um pouco mais de bibliografia, o que não melhora seus argumentos. Só os torna mais patéticos.
Vaia disse, com a clareza de sempre, o que tem de ser dito: ao “outro” (aquele que pensa diferente de nós), nos limites do que estabelecem e garantem a Constituição e as leis num regime democrático, tem de ser assegurado o direito à palavra. Impedir que se manifeste na base  da gritaria, da vaia e da ameaça de agressão é coisa típica de fascistas.
Não para Breno Altman, que expressou uma noção muito particular do que seja democracia: para ele, se não houver agressão física — vejam o programa quando estiver na rede —, tudo é permitido. Segundo o petista, as pessoas que impediram Yoani de falar estavam apenas “exercendo” a democracia. Demonstrando notável ignorância sobre o que estabelece a Constituição brasileira — por que ele daria bola pra ela, não é mesmo? —, reiterou que só no caso de haver pancadaria é que estaria havendo desrespeito à lei.
E Breno, acreditem, pontuava a fala de Vaia com perguntas em tom indignado: “Alguém saiu ferido? Alguém saiu espancado?”. Revelou ainda mais sobre a sua concepção do que é democracia. Não! Para ele, o regime democrático não é uma sociedade de direito, que respeita o que está escrito. Afirmou que, se houvesse um grupo maior que aplaudisse Yoani, então esses aplausos superariam as vaias e pronto! Vence quem tem mais gente para fazer barulho. Breno Altman não reconhece o direito que as pessoas têm de expressar uma opinião. Na sua concepção, quem pode mais chora menos; quem ganhar leva. Se você quiser falar, tem de ter uma tropa de choque maior do que a de seu adversário.
Ninguém disse a Breno Altman que a democracia é justamente o contrário disso, vale dizer: É O REGIME, SENHOR BRENO, EM QUE SE ASSEGURA A PALAVRA À MINORIA. A democracia, senhor Breno Altman, é o regime, perdoe-me o clichê, em que a força do argumento tem de superar o argumento da força. Altman, considerado um “intelectual” petista, acha que só fala quem tem a tropa de choque maior.
O que nos diz a históriaEscrevi aqui um post muito reproduzido, inclusive fora do Brasil — enviaram-me traduções, o que me honrou —, sobre os 80 anos da chegada de Hitler ao poder. Nesse texto, partindo da indagação famosa — “Onde estava Deus diante daquele horror?” —, fiz uma outra: “Onde estavam os homens, que se calaram?”. É concluí: “Não podemos mudar Deus, mas podemos mudar os homens”. A mim, pois, importa menos o que foi chamado o “silêncio de Deus” do que o silêncio dos homens. Reproduzo trecho (em azul).
Antes que [Hitler] se tornasse um homicida em massa, a França e a Inglaterra aceitaram que anexasse a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia. Assinaram com ele um “acordo de paz”. E se fez silêncio. No ano seguinte, ele entrou em Praga e começou a exigir parte da Polônia. Depois vieram Noruega, Dinamarca, Holanda, França… É que haviam feito um excesso de silêncios.
– Silêncio quando, em 1º de abril de 1933, com dois meses de poder, os nazistas organizaram um boicote às lojas de judeus.
– Silêncio quando, no dia 7 de abril deste mesmo ano, os judeus foram proibidos de trabalhar para o governo alemão. Outros decretos se seguiram — foram 400 entre 1933 e 1939.
– Silêncio quando, neste mesmo abril, criam-se cotas nas universidades para alunos não alemães.
– Silêncio quando, em 1934, os atores judeus foram proibidos de atuar no teatro e no cinema.
– Silêncio quando, em 1935, os judeus perdem a cidadania alemã e se estabelecem laços de parentesco para definir essa condição.
– Silêncio quando, neste mesmo ano, tem início a transferência forçada de empresas de judeus para alemães, com preços fixados pelo governo.
– Silêncio quando, entre 1937 e 1938, os médicos judeus foram proibidos de tratar pacientes não judeus, e os advogados, impedidos de trabalhar.
– Silêncio quando os passaportes de judeus passaram a exibir um visível “j” vermelho: para que pudessem sair da Alemanha, mas não voltar.
– Silêncio quando homens que não tinham um prenome de origem judaica foram obrigados a adotar o nome “Israel”, e as mulheres, “Sara”.
(…)
VolteiNão! Não faço essa lembrança aqui porque Breno Altman é judeu. Se ele fosse alemão ou, a exemplo deste escriba, um vira-lata que mistura italiano, índio, francês e lá sabe Deus o quê nas estradas desse interiorzão, não seria diferente. A comunidade judaica me conhece o bastante para saber que não sou o tipo de provocador que acha que os judeus “têm” de pensar isso ou aquilo. Espero que todos os homens pensem como pessoas livres. De resto, eu e Breno não concordamos também sobre Israel. Ele já escreveu coisas como esta: “(…) considero inaceitável e indigno que o Holocausto sirva de álibi para que o Estado de Israel comporte-se com o povo palestino com a mesma arrogância e a mesma crueldade que vitimaram os judeus”. JÁ EU CONSIDERO INACEITÁVEL E INDIGNO ESSE PENSAMENTO para qualquer homem — judeu ou não. Infelizmente, nesse artigo, ele fez questão de lembrar a sua origem, como se isso tornasse menos detestável o que disse. É evidente que ele compara os palestinos de hoje aos judeus do Holocausto e o governo israelense aos nazistas. Viola, no meu entendimento, os fatos e a moral.
Lembro o texto que escrevi porque, boa parte das ações dos nazistas acima listadas foi perpetrada “sem violência física”. Respondendo às indagações de Breno no “Entre Aspas”, em boa parte delas, “ninguém saiu ferido”, “ninguém saiu espancado”. Tratava-se “apenas” de violações de direitos fundamentais — e expressar uma opinião é um direito fundamental. Seguindo o pensamento de Breno no “Entre Aspas”, os nazistas só avançaram porque os judeus da Alemanha não conseguiram mais “gente para vaiar” o governo do que as que havia para aplaudir. Seguindo o pensamento de Breno Altman, boa parte das violências praticadas contra os judeus estaria, então, compreendida no escopo da democracia. E a gente viu em que resultou aquela coisa toda.
Contradição fundamentalBreno é um dos militantes inflamados em favor do “controle social” da mídia. Ontem, ele estava numa emissora da Rede Globo defendendo o que entendia ser “o direito” de um grupo de impedir alguém de expressar sua opinião. Dá para ter uma ideia do que faria Breno se, um dia, seus valores triunfassem e se tivesse, então, o tal controle social…  É claro que não haveria lugar para um Sandro Vaia numa TV que fosse comandada por ele.
Vale dizer: alguém como Breno Altman só fala numa emissora de TV porque aqueles que ele considera seus adversários não empregam com ele o critério que ele empregaria com eles.
Sei lá se um dia essa gente vai conseguir se impor pela força do berro, que Breno chama “democracia”.  Uma coisa é certa: eles nunca vencerão no argumento, porque o argumento nasce da aceitação tácita da divergência. E eles não querem vencer seus adversários. Querem é destruí-los, reduzi-los ao silêncio.
Querem é o fim da sociedade do argumento.
Texto publicado originalmente às  4h40
Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Petralhas envergonham o Brasil - CNN


Poppi, o homem do Carvalho na reunião para difamar Yoani, recebeu mais de R$ 5 mil do nosso dinheiro para ir a Cuba

Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)
19/02/2013
 às 19:32

Poppi, o homem do Carvalho na reunião para difamar Yoani, recebeu mais de R$ 5 mil do nosso dinheiro para ir a Cuba

Sabem o tal Ricardo Augusto Poppi Martins, o assessor de Gilberto Carvalho que participou da reunião orquestrada pela embaixada de Cuba para difamar Yoani Sánchez? Pois é… Em seguida, ele viajou para Cuba para participar de uma “seminário” sobre o uso da Internet em ações políticas. Notável! Um homem de Carvalho vai a uma ditadura debater como usar as redes sociais na política… É asqueroso!
O site Contas Abertas revela que o rapaz recebeu R$ 5 mil de ajuda de custo para a sua viagem. Ficou com nojo, leitor? É compreensível.
Por Gabriela Salcedo:
O servidor da Secretaria Geral da Presidência, Ricardo Augusto Poppi Martins, recebeu da União R$ 5.095,10 para se hospedar em Havana, capital de Cuba, sete dias após ter participado de reunião na embaixada cubana em Brasília, quando foi distribuído CD com conteúdo difamatório sobre a bloggueira Yoani Sánchez.
Martins trabalha na Secretaria desde maio de 2011 e ganha cerca de R$ 6,8 mil brutos mensalmente para exercer o cargo de Coordenador de Novas Mídias e outras Linguagens de Participação. Ele viajou a Cuba no dia 10/02 e reservou hospedagem em hotel por oito dias, recebendo para tal diárias de U$ 320. Na ordem bancária obtida Siafi (Sistema Integrado de Administraçao Financeira da Secretaria do Tesouro Nacional) não está descrita a natureza da viagem.
A Secretaria confirmou que o servidor participou, quatro dias antes de viajar, no dia 6 de fevereiro, de uma reunião na embaixada cubana, em Brasilia, quando o foi entregue um CD que continha informações sobre Yoani Sánchez. Entretanto, conforme reportagem do periódico O Globo (19/02/13), o órgão não informou o conteúdo do disco e apenas se limitou a dizer que Martins foi a Cuba participar de um seminário sobre redes sociais, sem relação com a reunião.
O Contas Abertas solicitou à Secretaria Geral da Presidência uma cópia do CD entregue ao servidor, porém, até o fechamento desta reportagem, o material não foi encaminhado.
Já a revista Veja, que teve acesso ao CD, afirma que o conteúdo é difamatório e que a reunião foi coordenada pelo embaixador de Cuba, Carlos Zamora Rodríguez e pelo conselheiro político da embaixada, Rafael Hidalgo, junto a alguns representantes de organizações políticas do PT, PCdoB e CUT. A reunião teria como objetivo disseminar fatos supostamente negativos relacionados à blogueira.
A reunião, segundo a revista semanal, incentivou os participantes a organizarem campanha difamatória sobre Yoani, apoiada principalmente por meio de mídias sociais. Para tanto, distribuiu a cada um dos presentes uma cópia do CD contendo dossiê de 235 páginas a respeito da blogueira, composto por fotos pessoais, montagens e, inclusive, acusações de “mercenária” e de fazer uso de sua luta para conquistar uma vida luxuosa. Por fim, ambos os periódicos citados denunciaram suposto plano do governo de Cuba, para vigiá-la durante sua visita ao Brasil.
O Contas Abertas entrou em contato com a Embaixada Cubana para esclarecer a natureza da reunião realizada no dia 6 e para conhecer o conteúdo do CD distribuído na ocasião. Entretanto, a Embaixada informou que tanto Rodríguez como Hidalgo não se encontravam e não havia ninguém que poderia falar por eles. Até o fechamento desta reportagem, a Embaixada não retornou.
(…)
Por Reinaldo Azevedo

O velho ato de repúdio

Talvez vocês não saibam – porque não se conta tudo num blog – porém o primeiro ato de repúdio que vi na minha vida foi quando só tinha cinco anos. A agitação no casarão chamou a atenção das duas meninas que éramos minha irmã e eu. Assomamos a grade do corredor estreito para olhar para o piso de baixo. As pessoas gritavam e levantavam o punho em volta da porta de uma vizinha. Com tão pouca idade não tinha a menor idéia do que se passava. Mais ainda, quando agora relembro o acontecimento apenas tenho a recordação do frio do corrimão nos meus dedos e um curto instante dos que vociferavam. Anos depois pude ordenar aquele caleidoscópio de evocações infantis e soube que havia sido testemunha da violência desatada contra quem queria emigrar pelo porto de Mariel. Pois bem, desde aquilo tenho vivido então vários atos de repúdio de perto. Seja como vítima, observadora, ou jornalista... Nunca – vale à pena esclarecer – como participante. Recordo um especialmente violento que experimentei junto as Damas de Branco, onde as hordas da intolerância nos cuspiram, empurraram e até puxaram os cabelos. Porém o de ontem a noite foi inédito para mim. O piquete de extremistas que impediu a projeção do filme de Dado Galvão em Feira de Santana era algo mais do que uma soma de adeptos incondicionais do governo cubano. Todos tinham, por exemplo, o mesmo documento – impresso a cores – com uma fieira de mentiras sobre minha pessoa, tão maniqueístas como fáceis de rebater numa simples conversação. Repetiam um roteiro idêntico e guiado, sem ter a menor intenção de escutar a réplica que eu poderia lhes dar. Gritavam, interrompiam, num momento tornaram-se violentos e de vez em quando exibiam um coro de palavras de ordem dessas que já não são ditas em Cuba. Contudo, com a ajuda do Senador Eduardo Suplicy e a calma ante as adversidades que me caracteriza, conseguimos começar a falar. Resumo: só sabiam berrar e repetir as mesmas frases, como autômatos programados. Assim a reunião foi muito interessante. Eles tinham as veias do pescoço inchadas, eu esboçava um sorriso. Eles me faziam ataques pessoais, eu conduzia a discussão ao nível de Cuba que sempre será mais importante que esta humilde servidora. Eles queriam me linchar, eu conversar. Eles obedeciam a ordens, eu sou uma alma livre. No fim da noite sentia-me como depois de uma batalha contra os demônios do mesmo extremismo que atiçou os atos de repúdio daquele ano oitenta em Cuba. A diferença é que desta vez eu conhecia o mecanismo que fomenta estas atitudes, eu podia ver o longo braço que os move desde a Praça da Revolução em Havana. Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto Tirado de Geração Y

As omissões da imprensa nos atos fascistoides contra Yoani, cujo planejamento contou com a presença de um assessor de Carvalho. Ou: Honre a faixa do peito, presidente, e chame a Polícia Federal! Ou ainda: Uma obrigação moral de deputados e senadores de oposição.


Uma súcia de fascistoides recebeu a blogueira Yoani Sánchez com gritos, xingamentos e dólares nas mãos quando ela desembarcou, na madrugada de ontem, no aeroporto Guararapes, em Pernambuco. De lá, ela seguiu para Feira de Santana, na Bahia, onde assistiria à pré-estreia de um filme que trata justamente da agressão à liberdade de expressão. O evento, previsto para a noite de ontem, não aconteceu. Mais uma vez, uma tropa de choque formada por petistas e militantes do PC do B a hostilizou. Ela teve de se retirar para uma sala reservada para não ser agredida. Então ficamos assim: uma mulher que comete o crime de defender a liberdade de expressão numa ditadura é impedida de se pronunciar num país livre por gorilas do oficialismo, sob as ordens da embaixada de Cuba e com a conivência — o nome é esse mesmo! — do governo federal. Se Dilma Rousseff honra a faixa que enfeitou seu peito no dia da posse, dá um de seus supostamente famosos tapas da mesa, chama José Eduardo Cardozo, que é ministro da Justiça e não cavalo de parada para desfiles garbosos, e determina que a Polícia Federal faça a segurança da cubana e impeça a canalha fascista de rasgar a Constituição. Se assistir inerme a essa violência, Dilma estará dando razão prática àqueles que, no passado, também violaram a lei para constrangê-la. Aliás, presidente, Yoani vem de um governo em que se torturam e se matam pessoas na cadeia por crimes de opinião. É simples assim. Nos atos de selvageria, presidente, contra Yoani — que teve o cabelo puxado e o rosto tocado por notas de dólares —, há a marca vergonhosa e indelével do seu governo. Tudo é lastimável, inclusive o que vem agora: boa parte da grande imprensa brasileira se tornou moralmente corresponsável pelas violências de que Yoani foi e ainda pode ser alvo. Por quê?
VEJA chegou aos leitores na manhã do sábado. Nas primeiras horas do dia, este blog já publicava um post denunciando a reunião havida na embaixada de Cuba, em Brasília, sob o comando do embaixador Carlos Zamora Rodríguez. Vocêsconhecem a história. Disquetes com um dossiê contra Yoani foram distribuídos, e se combinaram ali atos de protesto contra a presença da blogueira no Brasil. Yoani é acusada de coisas graves, como ser agente do imperialismo, estar sob a influência da CIA, tomar cerveja com amigos, ir à praia e comer bananas… Os totalitários, com o tempo, evoluem para o terreno demencial. Havia lá um funcionário graduado do governo Dilma. Trata-se do coordenador de Novas Mídias da Secretária-Geral da Presidência, Ricardo Augusto Poppi Martins, que viajou para Cuba em seguida. Voltou ontem. A pasta de Gilberto Carvalho emitiu uma nota espantosamente mentirosa sobre o caso, na qual havia uma única verdade: a confirmação de que o tal assessor participara mesmo da reunião. Rodríguez confessou uma outra ilegalidade: afirmou que agentes cubanos acompanham cada passo de Yoani no Brasil.
Reação pífia, mesquinha, indignaA reação da chamada grande imprensa nestes três dias foi pífia, mesquinha, indigna. As TVs ignoraram o assunto até — se perdi alguma coisa antes, avisem-me — a reportagem levada ao ar pelo “Jornal da Globo” no começo da madrugada desta terça. Os grandes jornais dispensaram ao caso um tratamento frio, burocrático, ridículo. Nestes tempos de surrealismo noticioso, houve quem tivesse o capricho de dar como notícia a primeira nota da Secretaria-Geral da Presidência  (ela emitiu duas) sem ter informado antes o que trazia a reportagem de VEJA. Ou por outra: ganhou mais relevância o desmentido engrolado do governo do que os fatos gravíssimos que tinham acabado de vir à luz. E que se note: mesmo a reportagem do Jornal da Globo ignorou a questão dos agentes cubanos que estão no encalço da blogueira, o que é estupidamente ilegal. “Mas quem garante que está?” O embaixador cubano! É ele quem está confessando um crime contra as leis brasileiras e o direito internacional.
A verdade lastimável é esta: a grande imprensa brasileira está perdendo os parâmetros de como funciona, e deve funcionar, uma sociedade aberta e está se amesquinhando. Ontem, no Twitter, alguns tontinhos da profissão, supostamente alinhados com um jornalismo mais “moderno”, dispensavam ao caso um tratamento jocoso, irônico, como se, de fato, isso tudo não tivesse a menor importância. Toma-se o direito essencial do longo Artigo V da Constituição — uma cláusula pétrea — como matéria menor. Um jornalismo que avalia não ser precisar dar destaque à presença de um assessor ministerial numa reunião realizada numa embaixada de uma tirania com o objetivo de desqualificar uma militante dos direitos humanos; um jornalismo que avalia não ser preciso dar destaque à presença de agentes da polícia política de um país estrangeiro no encalço de alguém que entrou legalmente em nosso país, um jornalismo que comete essas omissões já está descolado de sua missão; já não merece mais esse nome;  já está perdido para a causa democrática. ESSE JORNALISMO NÃO PRECISA MAIS DO CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA, COMO QUEREM OS FASCISTAS, PORQUE, INFELIZMENTE, JÁ ESTÁ CONTROLADO!
O que se passa? O setor perdeu o brio? A vergonha? As referências? Vive também ele sob a patrulha de um partido e, no fundo, desconfia que Yoani não seja, assim, flor que se cheire? Olhem aqui: aqueles vagabundos que foram impedir a blogueira cubana de falar não têm tanta importância; noticiar a bagaunça que armaram também serve para promovê-los. Eles vão se sentir orgulhosos, como todo criminoso se gaba da própria obra. A notícia relevante, que rendeu uma alentada reportagem de VEJA, era justamente as patas no governo cubano nessa mobilização, a presença de um assessor de Carvalho na reunião e a atuação de agentes estrangeiros em nosso país, ao arrepio da lei. Essa era a notícia!!! Essas eram as coisas que tinham de ser cobradas de Gilberto Carvalho e do governo Dilma.
Quais critérios explicam a omissão? Se alguém tiver alguma justificativa razoável, juro que publico aqui com destaque. Por que tanto silêncio? Por que tanta covardia? Os líderes da bagunça armada em Feira de Santana dizem que vão continuar — ENTENDEU, PRESIDENTE DILMA? Eles confirmam que vão seguir as ordens recebidas do embaixador cubano, contra o que estabelece a Constituição brasileira.
Essa gritaria promovida contra Yoani revela, uma vez mais, a alma profunda dessa gente e diz, com clareza absoluta, quem são eles e quem foram no passado. Este é um país em que está em curso uma dita Comissão da Verdade, que procura avançar sempre um pouquinho mais na tentativa de rever, ao arrepio da Constituição, a Lei da Anistia. A comissão que está aí existe para tornar heróis os amigos e tornar bandidos os inimigos. Somos obrigados a ler, por exemplo, que os comunistas de então queriam democracia… Ninguém deveria ter sido torturado por isto, é evidente, mas democracia não queriam. Tanto assim era que não a querem até hoje. Por isso estão aí, impedindo Yoani de falar. E, dizem eles próprios, agem assim em “defesa da revolução socialista cubana”. Perfeito! Se os comunistas tornados heróis pela Comissão da Verdade tivessem vencido, teria vigido Brasil — e talvez estivesse ainda em vigência — um modelo como o… cubano! As esquerdas reivindicam o monopólio do direito de matar, o monopólio da censura, o monopólio da fala e, não poderia ser diferente, o monopólio da verdade.
OposiçõesO senador Álvaro Dias (PSDB-PR) protocolou nesta segunda na Mesa Diretora do Senado requerimento para que os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-geral da Presidência) e Antonio Patriota (Relações Exteriores) prestem esclarecimentos aos parlamentares sobre a atuação do governo brasileiro no complô contra Yoani. Está certo. Mas os partidos de oposição precisam fazer mais. A partir desta terça,É UMA OBRIGAÇÃO MORAL HAVER REPRESENTANTES DO PSDB, DO PPS E DO DEM ACOMPANHANDO OS PASSOS DA BLOGUEIRA. É preciso que lhe emprestem apoio contra os gorilas nativos que a perseguem, contra os gorilas cubanos que a perseguem, contra o gorilismo oficial que a persegue.
Ontem, no Jornal da Globo, vi um senador Eduardo Suplicy (PT-SP) exaltado contra aqueles que hostilizavam Yoani. Aprecio o seu gesto. Mas não seria quem sou se tivesse a memória fraca. Em 2009, a blogueira foi convidada para o lançamento de um livro seu no Brasil, e o governo cubano não permitiu que deixasse a ilha. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou, então, uma moção de repúdio ao governo cubano. Só um senador votou contra: Inácio Arruda (PCdoB-CE). E um se absteve: Suplicy afirmou que apoiava o protesto, mas que preferia ouvir antes o embaixador de Cuba… A atitude de ontem serviu para minorar aquela decisão lamentável.
Volto à imprensa para encerrarAlgo está fora do lugar em muitas áreas da imprensa. Há dias, o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Sánchez Averláiz, participou de um ato CONTRA A JUSTIÇA BRASILEIRA E CONTRA AS OPOSIÇÕES. Sim, era esse o teor da patuscada armada por José Dirceu. A exemplo de seu colega cubano, Averláiz desrespeitava as leis brasileiras e rasgava as leis internacionais sobre a representação diplomática. Na imprensa brasileira, com as exceções de praxe, parecia que ele estava dizendo um “hoje é terça-feira”…
“Ah, que importância tem isso? Meia dúzia de dinossauros comunistas, o que inclui até um palhaço fantasiado de Che Guevara, fazendo um barulhinho…” Errado! Um funcionário do Palácio do Planalto, assessor graduado do secretário-geral da Presidência, participou de uma conspirata numa embaixada estrangeira e ouviu do seu titular que agentes estrangeiros perseguem uma pessoa que entrou legalmente em nosso país e que está protegida, enquanto aqui estiver, pelas leis brasileiras. Se isso não é notícia, o que é notícia?
Coragem, jornalismo!
Coragem, senadores e deputados de oposição!
Texto publicado originalmente às 3h26
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Planalto finge que desconhecia o assunto, mas participou de plano contra blogueira cubana


Fim do caminho – Como se fosse um mandamento intransponível, o Palácio do Planalto sempre alega desconhecer os fatos quando algum assunto coloca o governo do PT em situação de dificuldade. O embaixador da Venezuela participou de evento contra o Supremo Tribunal Federal, organizado por José Dirceu, condenado à prisão pela Corte no caso do Mensalão do PT, mas os palacianos até agora não se pronunciaram sobre o tema. Provavelmente porque não sabiam da manifestação.
Assessor do ministro Gilberto Carvalho, o coordenador-geral de Novas Mídias da Secretaria-Geral da Presidência, Ricardo Poppi Martins, participou de reunião convocada pelo embaixador de Cuba, em Brasília, Carlos Zamora Rodríguez, ocasião em que o diplomata apresentou um plano para desqualificar a bloqueira Yoany Sánchez, que está em visita ao Brasil desde a noite de domingo (17). O projeto da embaixada cubana conta, inclusive, com a distribuição de um dossiê contra a responsável pelo blog Generácion Y, que faz críticas ao regime dos facínoras Raúl e Fidel Castro.
No tal dossiê, os cubanos tentam desqualificar Yoani Sánchez com acusações distorcidas de que ela se beneficia de dinheiro recebido de outros países para tomar cerveja, comer banana e ir à praia, como se isso fosse o maior dos pecados da luxúria, em um país onde a miséria é socializada e há um hospital exclusivo para tratar de Fidel Castro.
Em sua passagem pelas cidades de Recife e Salvador, Yoáni foi recebida com protestos organizados por defensores da ditadura dos irmãos Castro, que não aceitam o contraditório, como todo caudilho que se preze.
Pululam na rede mundial de computadores alguns ignaros que desconhecem a realidade dos fatos e garantem que Dilma Rousseff e seus comandados jamais se curvaram a um ditador, em especial a Fidel Castro. Prova inconteste dessa genuflexão absurda foi a participação do servidor palaciano na reunião convocada pelo embaixador cubano, que segundo o Palácio do Planalto será investigada. Como os brasileiros já conhecem os resultados dessas investigações, o melhor a se fazer é não dar atenção a essas costumeiras mentiras oficiais.
Esses comunistas obtusos que foram aos aeroportos de Recife e Salvador para protestar contra Yoani Sánchez precisam saber que a liberdade de manifestação do pensamento é um direito de qualquer cidadão, assim como a luta pela sobrevivência, desde que a mesma ocorra pelas vias da legalidade. Protestar contra qualquer tirano não é crime e por isso Yoani Sánchez deve ser respeitada.
As manifestações contra a blogueira cubana, todas encomendadas e colocadas em prática por amestrados que não conseguem enxergar o óbvio, mostram que o Brasil caminha na direção de uma ditadura, nos moldes da que deflagrou o tiranete Hugo Chávez. Ou os brasileiros de bem reagem a esse movimento contínuo e ameaçador, ou aceitam a ideia de que em breve o Brasil será uma versão agigantada da bolivariana Venezuela.
Tirado de ucho.info

Yoani chega ao Brasil e é hostilizada por gorilas ideológicos pró-ditadura; assessor de Carvalho que participou de conspirata contra blogueira volta ao país



Yoani Sánchez, ao lado do cineasta Dado Galvão, chega ao Brasil: militantes pró-ditadura no encalço (Edmar Melo/EFE)
A blogueira Yoani Sánchez desembarcou na madrugada desta segunda no Aeroporto Internacional Guararapes, no Recife. Um bando de gorilas ideológicos —  é só metáfora; não pretendo ofender os bichos — resolveu hostilizá-la. Pertencem ao “Fórum de Entidades de Solidariedade a Cuba” e gritavam “Fora, Yoani”, acusando-a de ser agente da CIA. Um dos delinquentes tentou esfregar notas de dólares em seu rosto. A súcia cumpria as ordens do embaixador cubano no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, conforme relata reportagem de VEJA desta semana.
Quem também deve chegar hoje ao país é Augusto Poppi Martins, um dos coordenadores da Secretaria-Geral da Presidência. É auxiliar direito do ministro Gilberto Carvalho. Poppi esteve presente à reunião havida na embaixada de Cuba em que se organizou uma tramoia para desqualificar Yoani. O rapaz saiu de lá levando um disquete com um dossiê contra a cubana. Uma de suas especialidades é justamente a guerra na Internet. Poppi estava fora do Brasil porque participava de um seminário sobre o tema. Onde? Ora, em Cuba! Na reunião havida na embaixada, Rodríguez afirmou ainda que agentes cubanos estarão no encalço da blogueira enquanto ela estiver no Brasil. Tanto a reunião como a perseguição são ilegais. Trata-se de uma ofensa à soberania brasileira.
Vamos ver o que o que dirá a Secretaria-Geral da Presidência. As oposições já se mobilizaram para cobrar explicações do governo. Leiam texto sobre a chegada de Yoani publicado na VEJA.com.
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Após cinco anos e 20 negativas do regime cubano de viajar para o exterior, a dissidente, jornalista e blogueira Yoani Sánchez chegou na madrugada desta segunda-feira ao Brasil, primeira parada de uma viagem de 80 dias que a levará a uma dezena de países da América e da Europa.
Depois de pegar um voo na Cidade do Panamá, Yaoni, de 37 anos, desembarcou no Aeroporto Internacional Guararapes, no Recife, onde foi recebida por amigos e pelo diretor Dado Galvão, que convidou a cubana para vir ao Brasil participar da exibição do documentário Conexão Cuba-Honduras na noite desta segunda, em Feira de Santana (BA). Yoani é uma das entrevistadas do filme, que trata da falta de liberdade de expressão nos dois países. 
Acostumada a enfrentar a perseguição do regime comunista em seu país natal, onde já foi presa e torturada por escrever sobre as dificuldades do povo cubano provocadas pela ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro, Yoani Sanchéz foi surpreendida no aeroporto por um protesto de um pequeno grupo de militantes em defesa da ditadura castrista e contra sua presença no Brasil.
No saguão, a militância do chamado “Fórum de Entidades de Solidariedade a Cuba” recebeu a blogueira com gritos de “Fora Yoani” e a acusou de ser agente da CIA, o serviço de inteligência dos Estados Unidos. Em um ato grosseiro, um integrante do grupo tentou esfregar notas falsas de dólar no rosto da cubana, que reagiu de modo a valorizar a liberdade de expressão inexistente em Cuba: “Isso é a democracia. Queria que em meu país pudéssemos expressar opiniões e propostas diferentes com esta liberdade”.
Nos sete dias em que ficará no Brasil, no entanto, Yoani Sanchéz não está livre das perseguições do regime cubano, como revela reportagem de VEJA desta semana. O governo de Havana escalou um grupo de agentes para vigiá-la e recrutou outro com a missão de desqualificar a ativista por meio de um dossiê com características patéticas – o documento a acusa de ir à praia em Cuba, tomar cerveja e aceitar premiações internacionais concedidas a defensores dos direitos humanos. O plano para espionar e constranger Yoani Sánchez foi elaborado pelo governo cubano, mas será executado com o conhecimento e o apoio do PT, de militantes do partido e de pelo menos um funcionário da Presidência da República.
TurnêDo Recife, Yaoni seguirá inicialmente em avião para Salvador e, de lá, irá de carro até Feira de Santana, cidade de 557.000 habitantes, a 116 quilômetros da capital baiana. A viagem da blogueira, uma das vozes mais críticas da ilha, foi possível devido à reforma migratória vigente desde o dia 14 de janeiro em Cuba.
No ano passado Yaoni tentou visitar o Brasil para participar da apresentação do documentário e, apesar de receber o visto de entrada brasileiro, as autoridades cubanas voltaram a negar-lhe a permissão de saída. A blogueira terá no Brasil uma intensa agenda que inclui sua participação em conferências e debates sobre liberdade de expressão e direitos humanos, e também vai divulgar o livro De Cuba, com Carinho, uma coletânea de seus textos sobre o triste cotidiano do povo cubano.
Na quarta-feira ela fará turismo em Salvador e depois virá a São Paulo, onde tem atividades até sábado. A viagem de Yaoni Sanchéz pelo mundo também inclui México, Peru, Estados Unidos, República Tcheca, Alemanha, Suécia, Suíça, Itália e Espanha, onde entre outros eventos participará na cidade de Burgos de um congresso sobre internet entre 6 e 8 de março.
Por Reinaldo Azevedo