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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Mais um ato escandalosamente ilegal: desta feita, a protagonista é Dilma

Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)
31/07/2014
 às 21:29

Mais um ato escandalosamente ilegal: desta feita, a protagonista é Dilma

Mais um ato ilegal na CUT. Mais uma vez a Lei Eleitoral, a 9.504, foi escandalosamente afrontada. Mais uma vez, um dinheiro de origem pública, coletiva, foi posto a serviço de uma candidatura, de um partido, de um grupo de políticos. Desta feita, a protagonista da agressão ao estado democrático e de direito é ninguém menos do que a presidente Dilma Rousseff. Ela é uma das estrelas daquele partido, o PT, que exigiu — e obteve — a cabeça da funcionária de um banco privado que ousou dizer a verdade aos clientes: quando o mercado avalia que Dilma melhora nas pesquisas, os indicadores econômicos pioram. Que coisa! Uma mulher, de uma empresa privada, porque diz uma verdade, tem a cabeça entregue a Lula na bandeja. A presidente da República, jogando a lei na lata do lixo, não é molestada por ninguém.
A que me refiro? Nesta quinta, foi a vez de Dilma discursar num evento da CUT, central sindical que é financiada, entre outras fontes, pelo imposto sindical, pago compulsoriamente por todos os trabalhadores formalizados, sejam sindicalizados ou não. Lula já tinha discursado lá. Os dois usaram o encontro da central para fazer proselitismo eleitoral em favor do PT e, ainda mais escandaloso, para satanizar a oposição. Dilma deu mostras, mais uma vez, de que, pressionada, pode tirar do fundo do baú o pensamento da velha militante da VAR-Palmares, aquela que não tinha adversários, mas inimigos políticos, que tinham de ser eliminados. E os grupos aos quais ela pertenceu mataram inocentes. Sigamos.
Em franca campanha eleitoral, a presidente afirmou que seus adversários querem acabar com os benefícios sociais. Num momento em que a retórica resvalou no chão, mandou brasa: “Nós vamos fazer uma campanha respeitosa, não precisamos xingar ninguém. Agora, é uma campanha que vai confrontar a verdade ao pessimismo que querem implantar no Brasil, que querem criar o ambiente de quanto pior melhor. Nós queremos um Brasil de quanto mais futuro melhor”.
Não existe xingamento maior, ofensa maior, agravo maior, na política, do que atribuir a adversários o jogo do “quanto pior, melhor”, especialmente quando estes disputam o poder, como é o caso, segundo as regras do jogo. Por quê? Que grande programa do governo Dilma os oposicionistas sabotaram? Contra que grande benefício social eles se opuseram? A pecha valeria, sim, é para aquele PT que votou contra o Plano Real e que tentou derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Apelando ao drama vulgar, afirmou:“Não fui eleita nem serei reeleita para colocar nosso país de joelhos diante de quem quer que seja. Isso significa também reconhecer para vocês que eu não sou uma pessoa pretensiosa. Posso não acertar sempre, como qualquer outro ser humano, posso não agradar a todos, aliás acho que desagrado alguns. Eu não traio meus princípios, meus compromissos, não traio minha parceria…”.
Quem pôs o país de joelhos antes dela? Contra a vontade do PT, o país se levantou, isto sim, da hiperinflação, por exemplo. Ainda voltarei ao assunto, é claro! Não deixa de ser fascinante que alguém faça um discurso tão tonitruante no momento em que atropelava princípios básicos do republicanismo. Tem de ter muita cara de pau.

Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Proposta de Constituinte é inconstitucional. Trata-se de uma tentativa de golpe bolivariano. Ou: Conforme previ, petismo tenta saída à esquerda. Não estou surpreso. Nem vocês!

Constituinte exclusiva para fazer reforma política é golpe. É evidente que se trata de uma proposta inconstitucional, que não passaria no Supremo — aos menos, espero que não. Se passasse, então seria sinal de que estaríamos no reino onde o perdão seria desnecessário porque não haveria mais pecado.
Pois é… Eu conheço esses caras e essas caras. Sei como pensam. Sei com quais categorias operam. Sei como funcionam. Tenho advertido aqui há três semanas que esse negócio de ser reverente às massas na rua acaba dando em porcaria.
Uma coisa é ser contra congressistas que não prestam. Outra, distinta, é hostilizar o Congresso. Uma coisa é criticar uma justiça lenta e ineficaz. Outra, distinta, é hostilizar o Judiciário e as leis.
A ideia de uma Constituinte exclusiva para fazer a reforma política é de Lula. E é antiga. Dilma, quando candidata, defendeu essa ideia numa entrevista ao programa Roda Viva. Não conseguiu dizer direito nem por que queria governar o Brasil, mas veio com essa história. Escrevi a respeito em julho de 2010. Felizmente, ao longo de sete anos, completados hoje, este blog se manteve no prumo e no rumo. Na sua proposta, também a reforma tributária seria feita por essa “constituinte”. Como ela se operaria? A “Assembleia da Reforma Política” seria bicameral ou unicameral? Representaria só os cidadãos ou se tentaria garantir o equilíbrio federativo já no processo de representação? Vai saber o que se passa pela cabeça tumultuada de Dilma Rousseff. Eu sei o que se passa na cabeça da cúpula do PT: criar mecanismos para se eternizar no poder.
É um escárnio!
O Brasil passou pelo impeachment.
O Brasil passou pela crise dos anões do Orçamento, que dizimou reputações no Congresso.
O Brasil passou, e está passando ainda, pela crise do mensalão,
Ninguém falou em Constituinte. Agora, por causa de meia-dúzia na rua — ainda que fossem muitos milhões —, os feiticeiros vêm falar em “Constituinte exclusiva”? Por quê? Houve algum rompimento da ordem?
Boa parte da reforma política necessária pode ser feita por legislação ordinária. É raro o caso em que se precisa de emenda, só aprovada com três quintos das duas Casas. E por que não se chega a lugar nenhum? Porque o governo não tem rumo e porque, como em jornada recente, os petistas querem impor uma reforma que o beneficie, que torne as eleições meros rituais homologatórios. Ora, Dilma não recebe em palácio esses patetas do Passe Livre por acaso.
Não acho que essa porcaria vá prosperar, mas é claro que estou preocupado. Ao mesmo tempo, fico satisfeito. Então eu não estava doido, não! Muita gente boa se perdeu nesse processo porque não conseguiu resistir ao encanto das massas na rua. Uma coisa é reconhecer — e isto eu sempre reconheci — que existem bons e enormes motivos para protestar. Outra, distinta, é não distinguir o ataque à roubalheira e aos desmandos do ataque às instituições.
Que fique claro:
- sapatear no teto do Congresso agride a Constituição;
- botar foto no Itamaraty agride a Constituição;
- impedir o direito de ir e vir — SENHOR MINISTRO LUIZ FUX — agride a Constituição;
- promover quebra-quebras de Norte a Sul do país, cotidiana e reiteradamente, agride a Constituição.
Certa estupidez deslumbrada se esqueceu da natureza dessa gente. Os que estão nas ruas não obedecem a nenhum comando, mas estão lidando com forças organizadas. Daqui a pouco, lembrarei que tipo de reforma política quer o PT e por quê.
Conheço a crítica segundo a qual citar o nazismo como exemplo tende a ser inócuo porque nada se iguala aquilo e coisa e tal… Mas não dá para ignorar: parte dos liberais e dos democratas brasileiros resolveu, nestes dias, se comportar como os liberais e sociais-democratas da República de Weimar.
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Yoani e a sujeira do governo cubano e de petistas – Carvalho emite nota oficial sobre espionagem e nada diz sobre agentes cubanos circulando ilegalmente no Brasil.


A embaixada de Cuba no Brasil montou uma operação para espionar a blogueira Yoani Sánchez em sua viagem ao Brasil. Pior: montou um dossiê para desqualifica-la e fez uma reunião com petistas, cutistas e pecedobistas para definir como distribuí-lo na rede, mas de forma apócrifa. Ainda era pouco: um assessor direto do ministro Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência), Augusto Poppi Martins, participou do encontro. Mais detalhes desta história sórdida aqui. Os partidos de oposição exigem que o governo dê explicações. A pasta comandada por Carvalho emitiu ontem uma nota oficial sobre o caso. Afirma que “não tratou, nem autorizou nenhum servidor a tratar, da visita da cubana Yoani Sánchez ao Brasil”. Diz ainda que “a suposta participação do servidor Ricardo Augusto Poppi Martins será devidamente apurada quando de seu retorno ao Brasil”. Carvalho está tentando tergiversar. É ouro diversionismo. A coisa é bem mais grave do que parece. E vou dizer por quê. Antes, leiam a íntegra da nota:
Em relação à reportagem “O Dossiê da Vergonha”, da revista Veja desta semana, a Secretaria-Geral da Presidência da República esclarece que recebeu convite da Embaixada de Cuba para participar do II Taller Internacional “las redes sociales y los medios alternativos, nuevos escenarios de la comunicación política en el ámbito digital”, em Havana, de 11 a 13/02/2013, e que designou para participar do evento o servidor Ricardo Augusto Poppi Martins, coordenador de Novas Mídias e Outras Linguagens de Participação. No dia 6 de fevereiro, o servidor esteve na Embaixada de Cuba no Brasil para obter seu visto de entrada no país.
A Secretaria-Geral ressalta que não tratou, nem autorizou nenhum servidor a tratar, da visita da cubana Yoani Sánches ao Brasil. A Secretaria-Geral não foi informada de reunião na embaixada cubana nos termos relatados pela revista. A suposta participação do servidor Ricardo Augusto Poppi Martins será devidamente apurada quando de seu retorno ao Brasil.
Assessoria de Comunicação
Secretaria-Geral da Presidência da República
Brasília, 16/02/2013
RetomoEm primeiro lugar, “suposta participação” uma ova! Foi uma efetiva participação. Poppi estava lá. O objetivo da conspirata era divulgar o dossiê anti-Yoani na Internet, e o rapaz é justamente o coordenador de “Novas Mídias e Outras Linguagens de Participação”. Aliás, leitor, se você quiser “participar” e dizer ao próprio Poppi o que pensa do assunto, o telefone dele no ministério é (61) 3411 5897, e seu e-mail, ricardo.martins@presidencia.gov.br. Só publico aqui porque os dados estão na página oficial da secretaria-geral, e o negócio de Carvalho é ouvir a sociedade… Adiante! A sujeira planejada pelo embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, é grave. E, obviamente, é ilegal.
Na conversa com os bate-paus convocados para desqualificar Yoani, Rodríguez informou que agentes cubanos acompanharão cada passo da blogueira no Brasil, 24 horas por dia.  Assim, caros leitores, ficamos sabendo que agentes do castrismo circulam livremente em nosso país, espionando quem lhes der na telha. Perguntas óbvias:
a) entraram no Brasil como;
b) vieram especialmente para essa missão?;
c) a espionagem será feita por pessoas que já estão na embaixada de Cuba, o que significa que não existe ali um corpo diplomático, mas uma seção da polícia política?;
d) o governo brasileiro tem conhecimento desse fato?
É claro que planejar a divulgação de um dossiê apócrifo é prática asquerosa, além de ilegal. Mas é coisa ainda menos séria do que a confissão de que agentes da polícia política cubana praticam espionagem em solo brasileiro. A nota de Carvalho, como vocês puderam verificar, é omissa a respeito. Poppi, o tal que participou daquela sujeira, foi a Cuba para um seminário destinado a debater justamente a “ciberguerra”…
Mais um homem do Carvalho
Os assessores do ministro Gilberto Carvalho não são mesmo homens convencionais. Lembram-se do Pinheirinho? É aquela área que teve de ser desocupada por ordem da Justiça. O governo petista poderia, se quisesse, ter desapropriado o terreno. Não o fez. Deixou que a questão caminhasse para a impasse. A Polícia Militar de São Paulo teve de cumprir a ordem judicial, enfrentando as críticas de… Carvalho. Ao contrário do que propagandearam os petistas, a determinação da Justiça foi cumprida sem violência.
“Por que isso agora, Reinaldo?” Já explico. O mesmo governo federal que não moveu uma palha para evitar o conflito despachou para o Pinheirinho, na véspera da desocupação, um tal Paulo Maldos, que é chefe de gabinete de… Carvalho!!! Encerrada a operação, ele saiu por aí afirmando ter sido alvo de uma bala de borracha. Por alguma estranha razão, o diligente servidor federal decidiu não se submeter a um exame de corpo de delito. Para lembrar detalhes da história, clique aqui.
O que fazia Maldos no Pinheirinho? “Ah, estava lá para proteger a população”, poderiam responder o militante e o ingênuo. Mas proteger do quê? “Ora, da reintegração de posse!” Havia, pois, a decisão da reintegração, de cumprimento obrigatório. Carvalho e Maldos sabiam, então, que ela iria acontecer, como sabiam os tais “líderes” do Pinheirinho. Mas todos eles decidiram engabelar os moradores, mantendo-os na ignorância. Parece que o objetivo era mesmo usar o lombo dos pobres em benefício de uma causa política. Pergunto: o que distingue, nesse caso, o trabalho de Maldos do de um agitador qualquer? Em que ele se diferencia de um agente infiltrado, disposto a investir no quanto pior, melhor? Carvalho, naqueles dias, faltou com a verdade de modo absoluto ao afirmar que estavam em curso “negociações”. Não estavam, como deixou claro a Justiça. Os moradores do Pinheirinho, em suma, estavam à mercê de oportunistas, que se prepararam para o banho de sangue que não houve. E a operação “de resistência”, àquela altura, estava sendo coordenada, como se viu, pelo gabinete de Carvalho.
Duas fotos ilustram o modo como trabalham os homens de Carvalho. Vejam.
 
Quem é? Maldus, que exibe uma bala de borracha — não é a que supostamente o atingiu. Trata-se de um artefato qualquer, só para servir de exemplo. Pois bem: digamos que a coisa tivesse mesmo acontecido, como ele tentou fazer crer. O razoável seria que estivesse bravo, afetando, ainda que fingisse, indignação. Mas quê… Na primeira, foto, ele olha para a estrovenga de modo quase concupiscente; na segunda, gargalha. Estava, em suma, fazendo política, cumprindo uma missão.
Poppi só foi àquela reunião da vergonha porque existe um método de trabalho na Secretaria-Geral da Presidência. E quem responde por ele é Gilberto Carvalho. Deveria deixar a pasta pela porta dos fundos, junto com o seu subordinado.
Por Reinaldo Azevedo