segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

“O partido não é o Dirceu, nem o Lula", afirma Olívio Dutra, criticando compra de votos e formação de quadrilha do PT.


Do site da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, onde você ouvir a entrevista:
 
Militante histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) e garantindo ter "vida modesta", mesmo com aposentadoria de governador, Olívio Dutra falou, hoje, sobre as articulações políticas firmadas durante a primeira gestão do presidente Lula que culminaram em escândalos como o Mensalão e a Operação Porto Seguro, que envolve a ex-assessora especial do gabinete presidencial em São Paulo, Rosemary Noronha. Sem cargo político na sigla, ele participou do programa Esfera Pública, na Rádio Guaíba, nesta segunda-feira.

Olívio reiterou confiança na credibilidade do ex-presidente Lula e lembrou ter sido o primeiro ministro indicado para a Pasta das Cidades, criada durante o primeiro mandato. Olívio disse, porém, que o Ministério foi usado como instrumento de troca entre os partidos da base aliada. O ex-governador foi demitido do cargo em julho de 2005, o que permitiu ao governo Lula abarcar o Partido Progressista na base de sustentação.

O ex-ministro disse ainda que o ex-presidente sofria todo tipo de pressão para ter governabilidade e chegou a alertar que os aliados podiam denegrir a história do PT e do ex-presidente. “Eu avisei em uma ocasião que íamos sofrer com as más companhias. Más companhias que não são somente aquelas de fora para dentro, mas também de dentro do partido a medida que vão chegando pessoas. Na medida que tu tens cargos para oferecer, há pessoas no partido que não conhecem nada da história nem da razão de ser. O PT falha nisso e deixa de ser uma escola política e passa a agregar pessoas por conta dos cargos”, ressaltou.

As declarações foram feitas no mesmo programa do qual o petista José Genoíno também participou. Na semana passada, o deputado federal foi empossado na Câmara dos Deputados. O condenado no processo do Mensalão mencionou o artigo 5º da Constituição que prega que o indivíduo somente pode ser culpado depois de sentença penal transitada em julgado e se disse apto para permanecer no cargo legislativo. “Fui condenado à noite e no dia seguinte eu saí do governo porque era um cargo comissionado. É diferente de uma eleição onde os eleitores me delegaram como suplente. Esses eleitores não têm tido nenhuma restrição, por isso, estou assumindo tranquilamente, de maneira muito serena”, alegou. Genoíno foi condenado a seis anos e 11 meses de prisão e multa por corrupção ativa e formação de quadrilha no julgamento do Mensalão. Se cumprir a pena, deve ser em regime semiaberto.

Para Olívio, Genoíno errou em ter assumido. “É uma opinião pessoal, mas tenho convicções de que assumindo nessas condições não foi a melhor escolha para a tua própria trajetória e para o sentimento partidário”, ressaltou.

Olívio Dutra ainda disse que não está decepcionado com o partido. A sigla, na visão do político, é muito maior que o esquema de compra de votos e formação de quadrilha. “O partido não é o Dirceu, nem o Lula, nem a Dilma, nem o Tarso, nem o Olívio. O partido é uma construção coletiva da democracia brasileira”, disse. Ele complementou, porém, dizendo que o Mensalão foi um conjunto de erros entre o partido e os políticos que se beneficiaram com os delitos. “As instâncias partidárias não estavam suficientemente azeitadas e foram atropeladas por estas ilustres pessoas do partido”.
Tirado do Coturno Noturno

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Tucanos não abrem o bico sobre Genoíno.


Hoje o PT soltou um manifesto onde diz estar sendo perseguido e que querem desmoralizar Lula. Ataca a Justiça, a Mídia e a Oposição. A quadrilha está cada vez mais valente, desaforada e sem limites. E Genoíno assumiu uma cadeira na Câmara, enlameando ainda mais o Legislativo. Isto acontece por que na oposição só quem fala é um moço lá do PPS, partido que tem dono, que por sinal está botando a legenda à venda,  querendo uma fusão que permita atrair Marina Silva para disputar 2014. No PSDB ninguém abre o bico. A última notícia sobre o seu maior líder é que reatou com a namorada e fez reveillon na Isla Privilége, em Angra dos Reis. Obviamente, pegou seu helicóptero e foi embora antes das enchentes anuais que continuam causando tragédias por lá. Aliás, tragédia é o que melhor identifica a nossa oposição.
Tirado do Coturno Noturno

Dia da Vergonha na Câmara.


O quadrilheiro José Genoino, condenado a regime fechado pelo maior crime de corrupção política da história deste país, será empossado hoje, como deputado,num dos dias mais vergonhosos para o Legislativo brasileiro.

Condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa no processo do mensalão, o ex-presidente do PT José Genoino entregou na Câmara os documentos para tomar posse como deputado federal. Genoino foi eleito suplente nas eleições de 2010 com 92.362 votos. Volta à Câmara na vaga de Carlinhos Almeida, novo prefeito de São José dos Campos (SP). 

A posse de Genoino está marcada para hoje às 15h, com outros 13 parlamentares. "Só falo amanhã [hoje], depois da posse", disse o ex-presidente do PT, após visitar a liderança do partido na Casa. Na saída, ele se irritou com o assédio de jornalistas e chamou um deles de "torturador moderno". A Folha não conseguiu ouvir o que havia sido dito a Genoino. No primeiro turno da eleição municipal, o petista afirmou que alguns jornalistas são "torturadores da alma humana". 

Segundo aliados, o petista espera agora permanecer no mínimo um ano no cargo. Em 21 de dezembro, o Ministério Público pediu a prisão imediata dos condenados ao presidente do Supremo Tribunal Federal. Joaquim Barbosa negou o pedido. Na decisão, o ministro argumentou que o entendimento da corte é de aplicar as punições quando não houver mais recursos da defesa. 

Quando isso ocorrer, ainda sem previsão, ele passará a cumprir a pena imposta pelo STF, que decidiu pela perda automática do mandato. Genoino viajou a Brasília na véspera da posse para, segundo seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, "fazer as coisas com calma". A Folha apurou que Genoino procurou a liderança do PT para resolver questões práticas do mandato, como o gabinete que ocupará no Congresso.
Tirado do Coturno Noturno

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quem é Luiz Inácio Lula da Silva




Logo embaixo do verniz político está um homem simples demais para ser nosso presidente; danosamente simples demais. O que impressiona é como isso pôde passar despercebido do imaginário popular.
O Millôr começou por dizer que, seguindo um critério de Lombroso, Lula é um fronteiriço. Aliás, Enéias, o Breve, também disse isto em já célebre sessão do Conselho de Ética esses dias.
Mas Lula é antes de tudo um fraco. Fraco de cabeça, de instintos baixos, não maus, mas baixos, rudes, toscos. É irascível, odiento, sangüíneo, sialorréico e sudorréico. Em seu pícnico aspecto encerra em sua grossa carapaça sertaneja uma mente prática, adaptada para a sobrevivência física e que desdenha as sutilezas intelectuais nos outros. Uma mente que se compraz em obter vantagens ecológicas guiando uma existência física em um corpo sertanejo entre os espinhos da vida. Eis a sua faculdade da vida. Eis a sua contradição nordestina: apesar disso, Lula é um ... fraco!
Disfarça isso entre lágrimas fáceis e apelativas, escravas do pieguismo fronteiriço, que faz às vezes de uma doutrina moral facilitadora para o seu intelecto limitado. Isso ainda lhe rende uma proximidade calorosa com as massas que nele vêem um igual, que com luxúria contagiante compartilham seus QIs em uma sintonia  barulhenta de lascívia, de apetites coletivos, de ardores físicos comunitários em bem tipificada cumplicidade mental onde a moralidade precisa ser relaxada. Dizer intelecto limitado, porém, não é o mesmo que dizer que o ainda presidente seja burro ou falto de inteligência. Ele é a elite dos burros!
Esta ressalva é importante para a sua caracterização política. Ela revela no campo da política um espírito adaptativo típico dos populistas bem sucedidos que prosperam em situações de cultura estreita, de erudição nula e refinamento intelectual escasso, usando com desenvoltura sua inteligência adaptativa. Em suma, ele detém uma inteligência política do tamanho certo para uma cultura política incipiente, como é o caso brasileiro. Lula é bem brasileiro neste sentido; é majoritário nesta capacidade e neste mister de raposas, de astutos e de espertos. Afinal, a marca do caipira é a esperteza.
Como vêem, o problema da análise psicológica de Lula é que ela é melhor traduzida a partir da sua estatura física, de sua estrutura material tosca, mais do que de sua mente ou intelecto, ou do reino do abstrato. Quero assim enfatizar sua figura ornada pelos trejeitos cênicos, a voz rouquenha e sibilante, seus arroubos típicos que o levam rapidamente da simpatia à ridicularia de bufão bajulado, sem que ele se dê conta disso; a composição da imagem que lhe compõe gratuita e facilmente, o que inclui o nome, agora título. Seu nome, Lula, é um codinome disso; um autocodinome. Lula é um símbolo do qual queremos fazer um conceito para melhor entendê-lo. Para toda las gentes és un simbolo. Mas um símbolo que é parte integrante desse conceito. Lula o reverberou, o admitiu, o assimilou muito cedo na vida política. Compôs sua maturidade nele, quando deveria estar fazendo ou construindo outros papéis para si. “Lula” é uma grife, um logo, um simulacro. Sua “galega”, como se referiu à sua mulher nos bons tempos de alegria, deve ter participado desse entendimento e desta formação psicológica. Ela mesma foi maquiada e produzida para reforçar este papel. Hoje, na crise, e não tenho dúvida, no sofrimento, isso serve para realimentar a fantasia onde se escondem.
Hoje o vemos como uma personalidade pública que sofreu uma manipulação artificial no sentido de lhe criar um estofo social utilitário. Através da introjeção de papéis políticos convenientes e necessários à ideologia socialista, se lhe tornou possível a criação de uma finalidade, um sentido para a sua vida. Seu psiquismo mais grotesco e bronco assim ganhou uma camada fina e removível de verniz filosófico e político; uma pseudo-educação tardia, uma vocação imposta pelas exigências dessa ideologia, ainda que incrivelmente deslocada. Lula se tornou um socialista incapaz de ler o socialismo e ainda assim é contemplado com a mais nobre e alta missão. Aliás, quando lhe perguntaram se era socialista, ele se saiu pela tangente, dizendo-se torneiro mecânico apenas, fazendo questão de se passar por alheio a essas sutilezas teóricas. Lula é uma criatura onde foi inscrita uma missão política; deixada por si mesmo é nada, é sonho puro, desejo, emoção. Se alguém pudesse fazer um clone dele, não notaria a diferença dos dois.
O aspecto psicológico mais visível de sua personalidade, assim, é a volição, um elemento substancial na vida de qualquer político. Lula a tem em abundância. É pura vontade de poder, ou melhor, poder de vontade, invertendo Nietzsche. Vontade de ter e de comer. Tem no mais alto grau em si o voluntarismo, confundindo-o com a vontade política da qual ouviu falar como qualidade do político que faz, que constrói, ou modela. Ocorre, entretanto, que tal qualidade contamina a personalidade sonhadora e fantasiosa, sua única abstração. O resultado desse sistemático viver é a aposta permanente na utopia, no reino do futuro, em um idealismo que lhe consome o pouco de razão pensante de indivíduo primitivo.
O menos visível, no entanto, e que somente agora se revela publicamente, são os seus sentimentos pouco nobres: ressentimento, inveja, ódio. Notei antes o odioso como componente de sua psique, como pathos que se descarrega, que se dissipa, desculpável em qualquer homem. Mas aqui o ódio que se deixa acumular lhe confere um valor ou caráter negativo. Isso lhe dá um potencial para a maldade invejosa, a qual produz um traço permanente de presença, uma ação obstinada que a causa socialista requer, infunde, magnifica e justifica. No mesmo tom, a inveja, o sentimento socialista por excelência, que Nietzsche tinha flagrado nos primeiros cristãos diante do senhor romano, é uma constante psicológica, sua definidora principal de personalidade. O ressentimento, comparado aos sentimentos anteriores, é até brando em sua personalidade. Lula consegue dividi-lo mais facilmente com os companheiros; é um sentimento que tende ao compartilhamento, justo que reconhecível, diferente do ódio e, principalmente, da inveja, esta, impossível de admissão consciente. De fato, a inveja é sentimento que não se reconhece. Quando presente exige dissimulação. É, neste sentido, a mãe da mentira. Lemos o espírito de Lula e nele vemos a mentira como a m ais registrada das marcas do socialista. Mentir é uma segunda, diria, primeira natureza no socialista. Lula nem percebe isso quando a confirma diuturnamente para si e para os outros. Mentir é o agir principal do socialista. Mentir para si mesmo, contudo, revela distanciamento da realidade, o que se vê mais claramente nos momentos críticos, como agora, onde se faz a leitura de uma postura arrogante que arrosta a tudo e a todos a partir de uma visão auto-elogiosa, imodesta, que começou com um: “ninguém conhece esse país como eu”; que evoluiu para um “sou um homem sem pecado”; e que, por enquanto, culmina no lamentável “neste país não existe ninguém que possa me ensinar ética e honestidade”.
Mentiras, fantasias, sonhos, abstrações infantis, mais um pathos de bonomia, empatia, simpatia - de longe a característica mais conspícua e por tal reconhecida popularmente -, e a identificação com o que é mais rude, mais simples, mais chão, mais povo inculto: eis a cadeia e o círculo interior onde vive e sobrevive. Entre elas a linguagem, cuja única fluência é no sentido das futilidades da vida prática e cujo conhecer tende a ser anedótico, lúdico, irresponsável e leviano. Deste provêm a profusão de bobagens ditas e repetidas; jamais lidas, sempre toleradas pelos ingênuos, mas também pelos mal intencionados cultos de que dele se valem; besteiras e asneiras que nascem espontaneamente de dentro desse oco mental, em forma pura, não burilada pela análise racional – mais sentido e percepção que conhecimento processado. Porém, em sociedade e, em especial, na sociedade política, que o habilita para o desejoso poder, tal limitação o torna presa dos mais inteligentes, dos mais racionais, dos mais pensantes, que lhe ensinam a odiar por maldade, como disse, algo que não lhe é inato.
Lula é patético. É digno de pena. O povo reconheceu isso há muito tempo. O povo, ele mesmo, é patético. Querendo agradar-lhe e de se ver nele, o fez presidente de todos, infelizmente, mesmo sendo ele despreparado para a vida de nós outros, pois que escassamente assim é para si. Agora Lula sofre o passo mal dado, ousadamente mal dado, além da perna, do nariz, dos olhos e dos ouvidos. Caminhou com o coração rude e sangüíneo, o qual, talvez lhe bastasse, mas nunca a nós outros. O povo escolheu esse caminho por puro engano, puro engodo e propaganda falsamente humanista. O resultado, agora colhemos.
O diagnóstico que agora construo dessa personalidade marcante e inesquecível pelo dom que teve em arranhar a História e nela, à força, se inscrever, apenas está começando. Muitos se debruçarão sobre o mesmo tema, medindo-o por todos os seus lados visíveis e invisíveis. Porém, cada vez menos o lado do imaginário que não deu certo, que se mostrou falso e inverídico. Lula como homem não é uma farsa ou uma máscara. Ou é? Esta pergunta atende à diferença que procuro ressaltar: Lula é facilmente desmascarável, desmentível, desmistificável. Logo embaixo do verniz político está um homem simples demais para ser nosso presidente; danosamente simples demais. O que impressiona é como isso pôde passar despercebido do imaginário popular. A intensidade do fenômeno sociológico que a revolução de Gramsci foi capaz de fazer, explica tudo, entretanto, embora Lula não seja a criação do gramscismo ou seu fruto, verdadeiramente. Outros virão para cumprir o papel idealizado e então veremos. Estamos a um passo da segunda ofensiva gramscista, de um novo ciclo revolucionário; um verdadeiro teste para o socialismo tropical do qual até agora Lula foi o animal político mais representativo.

Lula é vagabundo com todas as letras e definições, mas crê que seus desafetos são iguais a ele.


(*) Ucho Haddad
Dono de verborragia que não coaduna com o cargo que ocupou, Luiz Inácio da Silva é o retrato vivo do pior e mais corrupto período político da história do Brasil. Lula, o semideus, tem motivos de sobra para estar atormentado, mas descontrole sempre foi o seu forte, especialmente quando está acuado e tenta reagir. Essa atitude animalesca de ir contra o eventual predador faz de Lula um personagem da pior espécie, um exemplar détraqué da raça humana.
Covarde contumaz, pois nunca fala o que pensa a respeito de alguém de forma direta e objetiva, Lula certa feita chamou de “idiota” o secretário-geral da FIFA, Jérome Valcke, que cometeu o pecado de externar sua justa preocupação com os aeroportos brasileiros. Herói de botequim, pois só os ébrios se enchem de repentina coragem, o ex-presidente vociferou a ofensa de maneira transversa e inominada, pois o ex-metalúrgico não honra as calças que veste. Lula é um borra-botas com todas as letras.
Preocupado com os desdobramentos de diversos escândalos de corrupção, os quais podem levá-lo de roldão ao núcleo de cada um dos imbróglios, Lula saiu de cena durante duas semanas, tempo suficiente para a camarilha petista organizar um esquema de blindagem e disparar ordens aos genuflexos filiados ao partido. Montada a farsa, Lula voltou de viagem com meia dúzia de palestras canceladas, o que turbinou ainda mais a sua ira. Não pelo dinheiro que deixará de receber, pois o vil metal ele soube amealhar durante os oito anos em que esteve no Palácio do Planalto, mas pelos arranhões em sua imagem.
Sem saber no que podem dar as investigações do Ministério Público Federal a partir das recentes denúncias de Marcos Valério ou, então, temendo um descontrole de Rosemary Noronha, a Marquesa de Garanhuns, que pode abrir a boca a qualquer momento e revelar o que sabe, Lula está literalmente atordoado. Cenário nada favorável para quem está se recuperando de um câncer.
Durante evento no ABC paulista, onde falou para ensandecida claque de sindicalistas, Lula voltou a abusar do “non sense” e declarou que percorrerá o Brasil em 2013 e que não será derrotado por qualquer “vagabundo”. Como sempre tomado pela covardia, o ex-metalúrgico mandou um recado sem destinatário e sem endereço, pois metade do Brasil quer vê-lo derrotado. Considerando que o que mais lhe preocupa no momento é uma eventual ação do Ministério Público, Lula pode ter chamado Roberto Gurgel de “vagabundo”. Se o procurador-geral da República era o alvo do xingamento, Lula pode ter se equivocado e precipitado, pois de “vagabundo” ele nada atem. Até porque, Roberto Gurgel prometeu entregar no STF, na sexta-feira, o pedido de prisão imediata dos mensaleiros condenados, mas se antecipou e entregou dois dias antes. Em outras palavras, Gurgel, diferentemente de um “vagabundo”, trabalhou arduamente e com afinco e celeridade.
Considerando que o MP é o seu calcanhar de Aquiles, Lula pode ter chamado de “vagabundo” o seu outrora salvador e agora desafeto Marcos Valério, que foi até Roberto Gurgel para contar detalhes extras e comprometedores sobre o Mensalão do PT, que o ex-presidente inicialmente admitiu, depois negou, para, ao final, dizer que foi um golpe articulado pela oposição, setores da imprensa e Judiciário. O que mostra que a Lula falta imaginação e criatividade, pois o discurso é velho e repetitivo.
Admitindo que Lula tenha usado o vernáculo “vagabundo” para se referir ao publicitário mineiro, apenas porque contou um pouco de tudo o que sabe, Lula deveria conceder a mesma deferência a Roberto Jefferson, o delator do Mensalão do PT. Que também contou o que sabia, quem sabe apenas parte. Se na opinião de Lula o operador do mensalão é “vagabundo” porque foi condenado, vagabundos também são os outros 24 condenados.
Se a namorada Rosemary Noronha não suportar a pressão surtar e resolver contar tudo o que de errado aconteceu no escritório paulistano da Presidência da República, Lula, por questão de coerência, terá de chamá-la de “vagabunda”. O que ninguém sabe se esse é o real pensamento de Dona Marisa sobre a Marquesa de Garanhuns.
Como o seu primeiro diploma foi o de presidente da República, Lula pode não saber o significado exato da palavra “vagabundo”. Nos bons dicionários da língua portuguesa, que o petista jamais ousou abrir ao menos uma vez, há diversas definições para “vagabundo”. A primeira faz menção àquele que é nômade, andarilho, vagamundo. Tomando por base as inúmeras, quase intermináveis, viagens internacionais que fez, Lula é um “vagabundo”. Levando-se a sério a afirmação de que ele andará pelo Brasil, em 2013, Lula está prestes a ser um “vagabundo”.
A segunda definição para o vernáculo também se encaixa com Lula, pois faz referência àquele que é “vadio, desocupado ou que faz as coisas sem vontade”. Pois bem, voltando no tempo e parando em 1988, ano da Assembleia Nacional Constituinte, Lula, alegando que no Congresso existiam trezentos picaretas, virou as costas e não mais voltou à labuta. Como estava sem vontade de cumprir os compromissos de um parlamentar, Lula tornou-se um “vagabundo”. Durante parte da vida, Lula se instalou na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos, cargo típico de desocupado. Portanto, segundo o Aulete, Lula é “vagabundo” de longa data.
A terceira definição do dicionário para a palavra “vagabundo” refere-se a quem demonstra inconstância ou é volúvel. Analisando sua ideologia ao longo dos anos, Lula é um perfeito “vagabundo”. Em relação a ser solúvel, Lula é um “vagabundo” inconteste. Afinal, durante duas décadas criticou os banqueiros e o FMI, mas para chegar ao poder se aliou a eles. Outra prova da sua volubilidade está relacionada ao senador José Sarney, a quem criticou com palavras duras durante longos anos, mas no primeiro aperto na presidência pediu ajuda ao maranhense.
A quarta definição faz referência ao reles, ordinário, inferior. Como presidente ele conseguiu ser reles. Como político não precisou de esforço algum para ser ordinário, que é aquele de baixo valor moral e intelectual. Como alguém que promete e não cumpre, ele é inferior. Resumindo, nesses três quesitos Lula não deixa dúvidas de que é um “vagabundo” de careteirinha e com direito a fã clube.
Por fim, o dicionário traz uma definição que faz referência a quem é infame, canalha e desonesto. No quesito da infâmia, Lula é um “vagabundo” ousado e mundialmente conhecido. Como o canalha é aquele que comete ações “vis, desprezíveis e indignas”, segundo o Aulete, Lula é um perfeito “vagabundo”. Na seara da desonestidade, Lula já mostrou essa sua vertente ao abafar escândalos diversos. Um deles foi o do fatídico Dossiê Cuiabá, cujos aloprados foram presos pela Polícia Federal, em São Paulo, com R$ 1,7 milhão em dinheiro. E o delegado do caso foi afastado. Outro viés da sua desonestidade ficou provado na tentativa de chantagear o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, apara que o julgamento do Mensalão do PT fosse adiado. Somando tudo isso, Lula é um “vagabundo” considerável.
Hoje, Lula não passa de um reles cidadão e a ele me dirijo como sempre fiz nos tempos de presidência. Assim como milhões de brasileiros de bem, considero Lula um vagabundo com todas as letras e rimas, além de acintoso. O que causa mais tristeza é que durante oito anos, por culpa de uma parcela incauta que foi abduzida pelas esmolas sociais e pelas pilhas de carnês vencidos, o Brasil esteve nas mãos de um vagabundo, agora sem as aspas porque a declaração é minha e não sou covarde como ele, que destruiu o País, levando-o à encruzilhada da insolubilidade. Coisa de vagabundo.
Caso Lula ouse me chamar de vagabundo, esse vagabundo terá de acertar as contas comigo, pois o meu conhecimento e o meu intelecto não me permitem uma nivelação tão rasa, chula e desprezível. Como o Natal está batendo à porta, pedirei ao bom Noel, mesmo com certo atraso, um presente não material. Que Lula deixe de aparecer por causa das sandices que balbucia, não sem antes se contentar com a insignificância de um vagabundo que acredita ser herdeiro de Aladim. E eu, Lula, mesmo não sendo um vagabundo desses que você conhece, farei tudo o que estiver ao meu alcance para derrotá-lo. Anote!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Oposição ridícula


Capa de O Globo, hoje
Vejam a foto no centro da capa de um dos mais importantes jornais do Brasil. Um bandido, chefe de quadrilha. Um ator de segunda classe. Meia dúzia de corruptos espalhados dentro de uma sofisticada organização criminosa, fantasiada de partido. Governadores fisiológicos organizando cararavanas de solidariedade. Capas de jornal. Manchetes. E a oposição não mexe um dedo para defender o Supremo Tribunal Federal e a Constituição do Brasil. Daqui a pouco, os bandidos viram heróis. Foi assim em 2005. Será assim em 2012? Onde estão Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Guerra? Se eles não defendem o Estado de Direito e a Democracia,  por que os defendemos?
Tirado do Coturno Noturno